Apelação Cível Nº 5000004-22.2019.4.02.5002/ES
RELATORA: Juíza Federal MARCELLA ARAUJO DA NOVA BRANDAO
RELATÓRIO
Trata-se de embargos de declaração opostos por H. G. B. (Evento 26) contra o v. acórdão que, por unanimidade, conheceu do apelo da CEF e deu-lhe parcial provimento para afastar a condenação da ré ao ressarcimento dos danos materiais suportados pela parte autora a título de aluguel, bem como a inversão da cláusula penal do contrato, além da compensação por danos morais, mantendo o julgado recorrido apenas no tocante à condenação da empresa pública à devolução dos valores comprovadamente despendidos a título de taxa de obra de modo indevido pela parte autora, de forma simples e não em dobro; e conheceu do recurso adesivo e negou-lhe provimento. . O julgado restou assim ementado (Evento 18):
ADMINISTRATIVO. SISTEMA FINANCEIRO DA HABITAÇÃO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO DE IMÓVEL. PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA. ATRASO NA CONCLUSÃO DA OBRA. LEGITIMIDADE PASSIVA. DANOS MORAIS E MATERIAIS. TAXA E JUROS DE OBRA.
1. Os pedidos indenizatórios lastreiam-se na inexecução da obrigação contratual da CEF em providenciar a substituição da construtora por meio de comunicação à seguradora. A petição inicial veicula pedido de reconhecimento de responsabilidade da Caixa Econômica Federal em razão da demora na entrega do imóvel fundada em omissão da instituição financeira, inclusive por não ter acionado a seguradora quando ultrapassados 30 (trinta) dias de atraso no cronograma da obra, obrigação contratual que assumiu, conforme cláusulas Nona, “g”, e Décima Nona, parágrafo segundo, do contrato. Dessa forma, afasta-se, in casu, a alegação de ilegitimidade passiva ad causam da Caixa Econômica Federal.
2. Quanto à prescrição, tem-se que quando a pretensão é de natureza indenizatória (isto é, de ser ressarcido pelo prejuízo decorrente dos vícios ou atraso na entrega do imóvel) a ação é tipicamente condenatória e se sujeita a prazo de prescrição decenal (STJ, 3ª Turma, AgInt no REsp 1863245, Rel. Min. MOURA RIBEIRO, DJe 27.8.2020), como na hipótese dos autos.
3. Especificamente no tocante à obrigação contratual de acionamento da seguradora para substituição da construtora do empreendimento Residencial Jardins, esta Turma já reconheceu que a CEF promoveu diligentemente a substituição e que eventual prejuízo decorrente do alongamento do prazo de construção, por culpa das construtoras, deve ser a elas atribuído, e não à empresa pública (TRF2, 7ª Turma Espec., AC nº 0000949-70.2014.4.02.5002, Rel. Des. Fed. Nizete Lobato Carmo, julg. 02/09/2020).
4. Diante do extenso conjunto probatório acostado aos autos, conclui-se que a CEF acionou a seguradora a todo tempo, cumprindo a obrigação assumida nas cláusulas Nona, “g”, e Décima Nona, parágrafo segundo, do contrato. Nesse aspecto, inclusive, não prospera a alegação de que a instituição financeira escolheu diretamente as construtoras inadimplentes e incorreu, por isso, em culpa in eligendo e in vigilando. A obrigação da CEF era a de acionar o seguro, e à companhia seguradora é que cabia, como coube, a escolha e contratação das construtoras substitutas (parágrafo segundo da Cláusula Décima Nona), conquanto fossem submetidos à empresa pública os orçamentos apresentados pelas potenciais contratadas, para exame da sua compatibilidade com o cronograma físico e financeiro da obra, sempre para fins de liberação dos recursos do financiamento. Conclui-se, assim, que, especificamente no tocante à sua obrigação de acionamento da seguradora, a CEF agiu conforme o contrato. Portanto, impõe-se o afastamento da condenação da ré ao ressarcimento dos danos materiais suportados pela parte autora a título de aluguel, bem como a inversão da cláusula penal do contrato, além da compensação por danos morais.
5. Por outro lado, revela-se adequada a condenação da empresa pública ao ressarcimento da taxa de obra paga após o prazo de conclusão da obra. Nos termos do item C6 do quadro resumo e da cláusula quarta do contrato em discussão, foi previsto o prazo de 24 (vinte e quatro) meses para a construção da unidade habitacional. Em que pese haver previsão contratual sobre a possibilidade de prorrogação de tal prazo mediante autorização do agente financeiro, há de se frisar que tal previsão se apresenta um tanto quanto genérica, na medida em que não especifica em que condições se daria a tolerância concernente ao atraso na construção, limitando-se a informar que a prorrogação é possível desde que não ultrapasse “(...) o estatuído nos normativos do CCFGTS, do SFH e da CEF, sob pena de a CEF considerar vencida a dívida”. Nesse contexto, ante a celebração do financiamento em 03.06.2011, o bem adquirido deveria ser entregue em até 24 (vinte e meses) meses, ou seja, até 03.06.2013. Tem-se, ainda, que a cláusula sétima do citado instrumento especifica claramente que, na fase de construção, são devidos “(e)ncargos relativos a juros e atualização monetária, à taxa prevista no Quadro ‘C’, incidentes sobre o saldo devedor apurado no mês”, encargos estes que, registre-se, correspondem à chamada “taxa de evolução da obra”.
6. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, observando o rito dos recursos especiais repetitivos, já se posicionou pela invalidade da cobrança de juros em momento posterior ao prazo previsto para a entrega da obra na hipótese de imóvel adquirido em fase de construção (REsp n. 1.729.593/SP, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Segunda Seção, julgado em 25/9/2019, DJe de 27/9/2019).
7. Considerando o inequívoco atraso na entrega do imóvel, reputa-se indevida a continuidade da cobrança da taxa de evolução da obra ao adquirente após o decurso do prazo contratualmente previsto para o encerramento da fase de construção até a efetiva entrega do imóvel ao comprador.
8. Certo é que não tendo sido demonstrada má-fé por parte da Instituição Financeira (STJ, AgRg no REsp 1.471.367/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 20/03/2015), a devolução dos valores pagos a maior pelo mutuário deverá observar a forma simples, e não em dobro, como consta da sentença, afastando-se a aplicação do art. 42, parágrafo único, do CDC (TRF – 2ª Região. Oitava Turma Especializada. Apelação Cível nº 5035222-37.2021.4.02.5101. Rel. Des. Fed. Marcelo Pereira da Silva. Julgado em 27/09/2022).
9. Dessa forma, impõe-se o acolhimento parcial das razões recursais apresentadas pela Caixa Econômica Federal, reformando-se parcialmente a sentença, para afastar a condenação da ré ao ressarcimento dos danos materiais suportados pela parte autora a título de aluguel, bem como a inversão da cláusula penal do contrato, além da compensação por danos morais, mantendo o julgado recorrido apenas no tocante à condenação da empresa pública à devolução dos valores comprovadamente despendidos a título de taxa de obra de modo indevido pela parte autora, de forma simples e não em dobro.
10. Diante da sucumbência mínima da ré, também se impõe a condenação da parte autora ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% (dez por cento) sobre o valor da condenação, nos termos do art. 85, §2º, do CPC, observado, entretanto, o disposto no art. 98, §3º, do mesmo diploma legal, ante o deferimento da gratuidade de justiça à demandante.
Alega a embargante a existência de omissão, obscuridade e contradição no acordão embargado, sustentando, em síntese, o seguinte:
“I - ACÓRDÃO QUE SILENCIA, OMITE E TERGIVERSA EM ENFRENTAR FATOS CONFESSADOS PELA PRÓPRIA CEF, MAS, SOBRETUDO, PROVAS CONTUNDENTES – SEQUER IMPUGNADAS A LUZ DOS ARTS. 341 E 336 DO CPC – QUE CONTRAPÕE O CERNE DO QUE FOI DECIDIDO “… PORQUE SÃO CAPAZES DE INFIRMAR A CONCLUSÃO DO JULGADOR” (ART. 489, § 1º, IV).
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 93, IX, DA CF, ART. 489 DO CPC, EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV, V, ART. 1013, 932, I, 933, 1.022, DO CPC;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, LV, DA CF, 369, 932, I E 933 DO CPC PORQUE NÃO SE PERMITIU A PRODUÇÃO DE PROVAS
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 186, 187 E 927 DO C.C., E AOS ARTS. 5º, V E X, E ART. 6º DA CF PORQUE SE ESTÁ CRIANDO UM SALVO-CONDUTO PARA A CEF OS VIOLAR.
II – ACÓRDÃO QUE CONTINUA A SILENCIAR, OMITIR E TERGIVERSAR EM ENFRENTAR FATOS, INCLUSIVE CONFESSADOS PELA PRÓPRIA CEF PORQUE ATUOU EM DESALINHO COM OS ARTS. 341 E 336 DO CPC, UMA VEZ QUE A DESÍDIA DA CEF NÃO FOI APENAS COM RELAÇÃO AO RETARDO QUE PROMOVEU, MAS TAMBÉM PORQUE APUROU OUTRAS VIOLAÇÕES CONTRATUAIS, ALTERAÇÕES NO PLANEJAMENTO, PLANTA, MEMORIAL DESCRITIVO, NAS OBRAS, E NÃO AGIU TEMPESTIVAMENTE, TAL COMO ORDENA O CONTRATO.
– O ACÓRDÃO COMETE O ERRO DE FOCAR APENAS A LETRA “G” DA CLÁUSULA NONA, ESQUECENDO AS OUTRAS LETRAS “D”, “E” E “F”, POR EXEMPLO;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 93, IX, DA CF, ART. 489 DO CPC, EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV, V, ART. 1013, 932, I, 933, 1.022, DO CPC;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, LV, DA CF, 369, 932, I E 933 DO CPC PORQUE NÃO SE PERMITIU A PRODUÇÃO DE PROVAS
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 186, 187 E 927 DO C.C., E AOS ARTS. 5º, V E X, E ART. 6º DA CF PORQUE SE ESTÁ CRIANDO UM SALVO-CONDUTO PARA A CEF OS VIOLAR
III – DA VIOLAÇÃO AO ART. 435 E SEU PARÁGRAFO ÚNICO E AO § 1º DO ART. 437 DO CPC, UMA VEZ QUE FOI ANEXADO AO PROCESSO DOCUMENTOS/PROVAS NOVAS
– INCLUSIVE CONFISSÕES DA PRÓPRIA CEF – QUE COMPROVAM JUSTAMENTE QUE A CEF RETARDOU ESCOLHER AS CONSTRUTORAS (QUE ERAM INCAPACITADAS TECNICAMENTE E FINANCEIRAMENTE), COLANDO POR TERRA O CERNE DA FUNDAMENTAÇÃO DO ARESTO, LOGO SÃO PROVAS/DOCUMENTOS (NOVOS) “… CAPAZES DE INFIRMAR A CONCLUSÃO DO JULGADOR” (ART. 489, § 1º, IV).
– EM VISTA DA PREMISSA SUPRA, LOGO O ARESTO VIOLOU O ART. 389 DO CPC PORQUE NÃO DÁ APLICABILIDADE AO SEU TEOR, EM QUE PESE A CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL DA CEF;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 93, IX, DA CF, ART. 489 DO CPC, EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV, V, ART. 1013, 932, I, 933, 1.022, DO CPC;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, LV, DA CF, 369, 932, I E 933 DO CPC PORQUE NÃO SE PERMITIU A PRODUÇÃO DE PROVAS;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 186, 187 E 927 DO C.C., E AOS ARTS. 5º, V E X, E ART. 6º DA CF PORQUE SE ESTÁ CRIANDO UM SALVO-CONDUTO PARA A CEF OS VIOLAR
IV – ACÓRDÃO QUE INOVA PORQUE SUSCITA TESE DEFENSIVA QUE SEQUER FOI ADUZIDA PELA CEF, QUAL SEJA, DE QUE A CEF CONTRATOU/ESCOLHEU E OU TEVE PARTICIPAÇÃO NA DESIGNAÇÃO DAS 4 CONSTRUTORAS QUE ATUARAM NO EMPREENDIMENTO (PREMAX, NAC, SOLARE E MENECUCCI), AO REVÉS ELA FOI (E É) CONFESSA
– E É POR ISSO QUE O ACÓRDÃO VIOLA OS 141, 492 DO CPC, LOGO AO PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO/CONGRUÊNCIA;
– OUTROSSIM, O ARESTO VIOLA OS ARTS. 389, 341 E 336 DO CPC PORQUE IGNORA CONFISSÕES DA CEF PORQUE DEIXOU DE IMPUGNAR ALEGAÇÕES AUTORAIS; VEJA-SE, HÁ UMA GRAVE ALEGAÇÃO DE QUE A CEF ATUOU JUNTO A SEGURADORA PARA QUE ELA NÃO FIZESSE O ADIMPLEMENTO DO RESTANTE QUE SERIA NECESSÁRIO PARA CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO. ALEGAÇÃO QUE SEQUER FOI IMPUGNADA A LUZ DOS ARTS. 341 E 336 DO CPC PELA CEF. MAS O ARESTO ESCANTEOU ESSA ALEGAÇÃO O QUE CAUSA ESPÉCIE.
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 93, IX, DA CF, ART. 489 DO CPC, EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV, V, ART. 1013, 932, I, 933, 1.022, DO CPC;
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 5º, LV, DA CF, 369, 932, I E 933 DO CPC PORQUE NÃO SE PERMITIU A PRODUÇÃO DE PROVAS.
– DA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 186, 187 E 927 DO C.C., E AOS ARTS. 5º, V E X, E ART. 6º DA CF, PORQUE SE ESTÁ CRIANDO UM SALVO-CONDUTO PARA A CEF OS VIOLAR
V – ACÓRDÃO QUE CONFESSA QUE A MORADA (O CONTRATO) ESTAVA SOB A GUARIDA DO PMCMV
– PROGRAMA MINHA CASA MINHA VIDA –, MAS PRECISA ESCLARECER SOB PENA DE VIOLAR OS ARTS. 93, IX, DA CF, 489 EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV E V, 1.013, 1.022, DO CPC, QUE A CEF ATUOU COMO AGENTE EXECUTOR DE POLÍTICAS FEDERAIS PARA PROMOÇÃO DE MORADIA PARA PESSOAS DE BAIXA RENDA, TANTO É VERDADE QUE A EMBARGANTE RECEBEU APORTE DE DINHEIRO PÚBLICO, PORQUE ADENTRE A FAIXA I, LOGO O PRÓPRIO CONFESSA QUE A CEF ATUOU COMO AGENTE EXECUTOR DE POLÍTICAS FEDERAIS PARA PROMOÇÃO DE MORADIA PARA PESSOAS DE BAIXA RENDA
– PRECISA O ACÓRDÃO ELUCIDAR QUE A ATUAÇÃO DA CEF FOI ALÉM DE MERO AGENTE FINANCIADOR DA OBRA;
– DA VIOLAÇÃO A LEI Nº DA VIOLAÇÃO À LEI Nº 11.977/2009 E DAS PORTARIAS Nº 409 E 464. SALIENTANDO QUE COMO OS FATOS EM DISCUSSÃO SE ORIGINARAM A PARTIR DE JULHO/2013, NÃO HÁ APLICAÇÃO DA LEI Nº 14.118/2021 (QUE ALTEROU A LEI Nº 11.977/2009) EM VISTA DO PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM, LOGO A RESPONSABILIDADE DA CEF É AINDA MAIS ACENTUADA, PORQUE ELA PREVIA QUE: “OS ESTADOS, OS MUNICÍPIOS E O DISTRITO FEDERAL QUE ADERIREM AO PMCMV E A CAIXA ECONÔMICA FEDERAL SERÃO RESPONSÁVEIS PELA EXECUÇÃO DO TRABALHO TÉCNICO E SOCIAL”
VI – ACÓRDÃO QUE CONFESSA QUE A CEF TINHA (E TEVE) INFLUÊNCIA NA ESCOLHA DAS CONSTRUTORAS QUE PARTICIPARAM DO EVENTO. UM TOTAL DE 4, PRIMEIRO A PREMAX, APÓS A NAC, APÓS A SOLARE E POR FIM A MENECUCCI. CONSTRUTORAS QUE, PORÉM, NÃO DETINHAM CAPACIDADE TÉCNICA/FINANCEIRA, DAÍ PORQUE UMA SUCEDEU A OUTRA, ABANDONANDO – O – EMPREENDIMENTO -, O QUE O FEZ SER POSTERGADO, HOJE, EM MAIS DE 10 ANOS.
– PORÉM, IRÁ VIOLAR OS ARTS. 93, IX, DA CF, 489 EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO SEU § 1º, III, IV E V, E ART. 1.022 DO CPC, MAS ESPECIALMENTE A LEI Nº 11.977/2009, SE NÃO PRESTAR A COMPLEMENTAÇÃO/JULGAMENTO, QUE SEGUE ABAIXO;
– DA VIOLAÇÃO OS ARTS. 141, 492 DO CPC, LOGO AO PRINCÍPIO DA ADSTRIÇÃO/CONGRUÊNCIA, E OS ARTS. 389, 341 E 336 DO CPC PORQUE IGNORA CONFISSÕES DA CEF PORQUE DEIXOU DE IMPUGNAR ALEGAÇÕES AUTORAIS;
– DA VIOLAÇÃO A LEI Nº 11.977/2009. É AUTOMÁTICO, SE A CEF FIRMOU UM CONTRATO SOB A TUTELA DA LEI Nº 11.977/2009 ELA TINHA POR OBRIGAÇÃO SABER SER AS CONSTRUTORAS (TOTAL DE 4, UMA SUBSTITUIU À OUTRA) DETINHAM CAPACIDADE TÉCNICA E FINANCEIRA;
VII – SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO ART. 93, IX, DA CF, E AO ART. 489 EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO AO § 1º, IV, DA LEI Nº 13.105/15, DEVE O ARESTO APONTAR DOCUMENTO E PROVA QUE RESPALDE QUE O PRAZO DE 30 DIAS PARA ACIONAMENTO DA SEGURADORA FOI OBSERVADO PELA CEF
- LEMBRANDO QUE HOUVE INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA
VIII – DA NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL, LOGO DA VIOLAÇÃO AO ART. 489 EM TODA SUA EXTENSÃO, SOBRETUDO AO § 1º, IV, DA LEI Nº 13.105/15. DA VIOLAÇÃO AO ART. 93, IX, DA CF.
– NESSE SENTIDO, HOUVE VIOLAÇÃO AO ART. 932, I, E DO ART. 933 DA LEI Nº 13.105/15;
– DA RESPONSABILIDADE CIVIL POR ATOS DIRETOS PRATICADOS PELA CEF. ISSO PORQUE “A CEF – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NÃO POSSUÍ SALVOCONDUTO PARA VIOLAR OS ARTS. 186, 187, E 927 DO C.C., E ART. 5º, V E X, E O ART. 6º DA CF”; – DA VIOLAÇÃO A LEI Nº 11.977/2009 .
IX – PRELIMINARMENTE - DA VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E A AMPLA DEFESA (ART. 5º, LV, DA CF)
– A CEF ATUOU DE FORMA DIRETA/OBJETIVA PARA PROCRASTINAR A ENTREGA DA OBRA, LUDIBRIANDO OS CONSUMIDORES;
– DA BUSCA PELA VERDADE REAL;
– A CEF ATUOU JUNTOU A SEGURADORA PARA QUE ELA NÃO FIZESSE O ADIMPLEMENTO DO VALOR RESTANTE PARA CONCLUSÃO DA OBRA, O QUE FOI ROGADO PARA SER PROVADO VIA AUDIÊNCIA, E É MUITO SÉRIO;
– A CEF PROMETEU POR MEIO DE SEUS PREPOSTOS APÓS O AJUIZAMENTO DA AÇÃO, E EM VARIADOS MOMENTOS, QUE PROVIDENCIARIA A CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO;
– DA VIOLAÇÃO AO ART. 5º, LV, DA CF, E DOS ARTS. 369 e 493 do CPC
– A CEF – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NÃO POSSUÍ SALVO-CONDUTO PARA VIOLAR OS ARTS. 186, 187, E 927 DO C.C., E ART. 5º, V E X, E O ART. 6º DA CF.
IX.II – DAS VARIAS CONFISSÕES DA PARTE RECORRENTE, SEJA POR APLICAÇÃO DO ART. 389 DO CPC, SEJA POR DESALINHO AOS ARTS. 336 E 341 DO CPC – O QUE DEVE NORTEAR O JULGAMENTO
IX.III – DA DECISÃO INVERTENDO O ÔNUS DA PROVA (ART. 6º, VIII, DO CDC, E DO ART. 373, § 1º DO CPC) – A PARTE RECORRENTE NÃO SE INSURGIU, POR ISSO SEUS EFEITOS NÃO PODEM SER IGNORADOS PORQUE TRANSITADOS – DO PRINCÍPIO DA APTIDÃO DA PROVA – A RECORRENTE SONEGOU DIVERSOS DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES QUE SOMENTE ELA POSSUI (VIOLANDO O ART. 373, II, DO CPC)
IX.IV – A CEF – CAIXA ECONÔMICA FEDERAL NÃO POSSUI SALVO-CONDUTO PARA VIOLAR OS ARTS. 186, 187, e 927 do C.C, E ART. 5º, V E X, E O ART. 6º DA CF (DIREITO A MORADIA).
– A CEF NÃO ATUOU COMO MERO AGENTE FINANCEIRO, POIS COMO AGENTE EXECUTOR DE POLÍTICAS PÚBLICAS – MAS INDEPENDENTE, A CEF DESOBEDECEU A CLÁUSULAS CONTRATUAIS PACTUADAS COM A PARTE CONSUMIDORA;
– DA JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO C. STJ DE QUE HÁ RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE O AGENTE FINANCEIRO PELOS VÍCIOS DE CONSTRUÇÃO;
– SE CLÁUSULAS CONTRATUAIS TIVESSEM SIDO OBSERVADAS PELA CEF IRIA IMPEDIR O SOFRIMENTO DOS ADQUIRENTES (QUE AGUARDAM MAIS DE 8 ANOS PELA CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO);
– DA JURISPRUDÊNCIA DO E. TRF DA 2ª REGIÃO NESSE SENTIDO;
– DE SUA RESPONSABILIDADE OBJETIVA (ART. 14, DO CDC).
IX.V – A SENTENÇA DE PISO FUNDAMENTOU QUE A CEF ATUOU COMO AGENTE EXECUTOR DE POLÍTICAS PÚBLICAS, EM FAVOR DA PARTE CONSUMIDORA HIPOSSUFICIENTE, MAS QUE SE ENCONTRA HÁ 8 ANOS SEM A CONCLUSÃO DO EMPREENDIMENTO;
– DATA VÊNIA, INEXISTE NOS AUTOS PARÂMETRO FÁTICO PARA ADUZIR QUE A CEF NÃO AUTOU COMO AGENTE EXECUTOR DE POLÍTICA PÚBLICA;
– A SENTENÇA A QUO SE PAUTA NA JURISPRUDÊNCIA DO C. STJ- DO VÍCIO DE CONSTRUÇÃO;
– NÃO FOI A PARTE CONSUMIDORA QUEM ESCOLHEU AS CONSTRUTORAS SUCESSORAS DA PREMAX, MAS A CEF AO ARREPIO DE SEU CONHECIMENTO. CONSTRUTORAS/SUCESSORAS QUE ABANDONARAM O EMPREENDIMENTO, RETARDANDO SUA CONCLUSÃO;
– DA CULPA IN ELEGENDO E IN VIGILANDO DA CEF QUE CONTRATOU AS CONSTRUTORAS SUCESSORAS DA PREMAX SEM QUALQUER CRITÉRIO E SEM QUE ELAS TIVESSEM CAPACIDADE FINANCEIRA E TÉCNICA, TANTO QUE FALIRAM E TAMBÉM ABANDONARAM A OBRA;
– A PARTE CONSUMIDORA NÃO POSSUI RELAÇÃO NENHUMA COM AS CONSTRUTORAS SUCESSORAS DO EMPREENDIMENTO ESCOLHIDAS PELA CEF SEQUER UM ÚNICO DOCUMENTOS DELAS -, COMO DELAS PODERIA COBRAR? DAÍ PORQUE A CEF É RESPONSÁVEL;
– DA VIOLAÇÃO A LEI Nº 11.977/2009.”
Despacho (evento 27) sobre a petição de H. G. B. e respectivos documentos acostados no evento 24.
Manifestação da CEF (evento 34) sobre os documentos novamente acostados pela parte autora no evento 32, destacando “não ser ‘documento novo’ com ‘confissão’, mas sim mera juntada de documentos que não trazem NADA DE NOVO OU EXTRAORDINARIO aos autos.”
É o relatório. Peço dia para julgamento.
Documento eletrônico assinado por MARCELLA ARAUJO DA NOVA BRANDAO, Juíza Federal Convocada, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 2ª Região nº 17, de 26 de março de 2018. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://eproc.trf2.jus.br, mediante o preenchimento do código verificador 20001817590v2 e do código CRC 22591c5f.
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