Agravo de Instrumento Nº 5013579-63.2022.4.02.0000/RJ
RELATOR: Desembargador Federal MARCELLO FERREIRA DE SOUZA GRANADO
RELATÓRIO
Trata-se de agravo de instrumento (), interposto por F. S. L., da decisão interlocutória () proferida pelo Juízo da 1º Vara Federal Niterói/RJ, que, nos autos da ação ajuizada em face do INSS, decidiu sobre a competência da justiça federal nos seguintes termos:
“F. S. L. propõe a presente demanda em face do Instituto Nacional de Seguro Social - INSS, por intermédio da qual pleiteia a concessão de auxílio acidente "com data de início a contar da cessação do auxílio-doença (20/04/2011)".
A parte autora aduz que "o médico perito do INSS reconheceu a sequela do autor, mas não concedeu o direito do auxílio acidente, razão pela qual o autor busca a solução pelo juízo."
Evento 8: O autor narra, ainda, que:
(...)
O autor ingressou com a presente ação de concessão de benefício previdenciário denominado auxílio acidente. Entende o autor que seu benefício foi indevidamente negado pela autarquia previdenciária, já que sempre trabalhou na mesma empresa desde 1988 e, em 24/04/2005 sofreu um acidente e ficou com sequelas permanentes decorrente do mesmo. Requereu a concessão do beneficio que foi indevidamente negado, já que o próprio perito reconheceu a sequela do autor. Entende o autor que seu direito está amparado pelo artigo 86, §1º e 2º da Lei 8.213/1991, e que o benefício corresponde à 50% do salário benefício até a antevéspera do início da aposentadoria ou até o óbito do segurado. O auxílio acidente será devido a partir do dia seguinte da cessação do auxílio doença (20/04/2011). Sendo assim, são devidas ao autor as parcelas referente ao auxílio acidente correspondente a 50% do SB desde 20/04/2011 até a data da distribuição da demanda. Vale mencionar que algumas prestações estão prescritas, pois na época o autor ainda não sabia do seu direito ao benefício. Como a demanda foi distribuída em 30/06/2022, retroagem-se em 05 anos o direito ao benefício(30/06/2017).
(...)
É o breve relatório. Decido.
O artigo 109 da Constituição da República prevê que a competência da Justiça Federal para processar e julgar as causas de interesse da autarquia federal não compreende aquelas referentes a acidente de trabalho. Assim, em se tratando de ações cuja origem esteja afeta a acidente de trabalho, a competência para processar e julgar é da Justiça Estadual.
Na mesma orientação, o artigo 129, inciso II, da Lei nº 8.213/91, determina a competência da Justiça Estadual para apreciar litígios e medidas cautelares relativos a acidentes do trabalho.
Nesse sentido dispõe a Súmula 501 do Supremo Tribunal Federal:
Compete à Justiça Ordinária Estadual o processo e o julgamento, em ambas as instâncias, das causas de acidente do trabalho, ainda que promovidas contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista.
Tal entendimento está ainda em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça:
PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. JUSTIÇA ESTADUAL E JUSTIÇA FEDERAL. CONCESSÃO DE APOSENTADORIA POR INVALIDEZ OU AUXÍLIO-DOENÇA, DECORRENTES DE ACIDENTE DE TRABALHO. SÚMULAS 15/STJ E 501/STF. TRABALHADOR AUTÔNOMO. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Na linha dos precedentes desta Corte, "compete à Justiça comum dos Estados apreciar e julgar as ações acidentárias, que são aquelas propostas pelo segurado contra o Instituto Nacional do Seguro Social, visando ao benefício, aos serviços previdenciários e respectivas revisões correspondentes ao acidente do trabalho. Incidência da Súmula 501 do STF e da Súmula 15 do STJ" (STJ, AgRg no CC 122.703/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe de 05/06/2013) II. É da Justiça Estadual a competência para o julgamento de litígios decorrentes de acidente de trabalho (Súmulas 15/STJ e 501/STF). III. Já decidiu o STJ que "a questão referente à possibilidade de concessão de benefício acidentário a trabalhador autônomo se encerra na competência da Justiça Estadual" (STJ, CC 82.810/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, DJU de 08/05/2007). Em igual sentido: STJ, CC 86.794/DF, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, TERCEIRA SEÇÃO, DJU de 01/02/2008. IV. Agravo Regimental improvido. ..EMEN: (AGRCC - AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE COMPETÊNCIA - 134819 2014.01.67462-6, ASSUSETE MAGALHÃES, STJ - PRIMEIRA SEÇÃO, DJE DATA:05/10/2015 ..DTPB:.)
Assim, verifica-se a incompetência deste Juízo. Isto posto, DECLARO A INCOMPETÊNCIA deste Juízo para processar e julgar a presente ação.
Preclusa a presente decisão, remetam-se os autos ao setor de distribuição da Justiça Comum Estadual de Niterói, após a baixa na distribuição.
P.I.”
O agravante sustenta em suas razões (), em síntese, que o benefício pleiteado não tem relação com acidente de trabalho, mas sim com acidente de trânsito sofrido e que deixou sequelas, fato tal que atrai a competência da justiça federal para julgar a demanda.
Contrarrazões em .
O Ministério Público Federal, atuando como custos legis, manifestou desinteresse em opinar nos autos ().
É o relatório.
Documento eletrônico assinado por GUSTAVO ARRUDA MACEDO, Juiz Federal Convocado, na forma do artigo 1º, inciso III, da Lei 11.419, de 19 de dezembro de 2006 e Resolução TRF 2ª Região nº 17, de 26 de março de 2018. A conferência da autenticidade do documento está disponível no endereço eletrônico https://eproc.trf2.jus.br, mediante o preenchimento do código verificador 20001560072v3 e do código CRC f78e7588.
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Signatário (a): GUSTAVO ARRUDA MACEDO
Data e Hora: 2/8/2023, às 13:53:34